21-07-2009 - Isto É Dinheiro
A união dos R$ 1,99
Importadores de produtos populares se organizam para se desvencilhar da imagem de contrabando e conquistar a credibilidade do governo brasileiro!
Ha 11 ANOS NO BRASIL, O argentino Victor Helder vive de importar produtos populares e foi um dos pioneiros a implantar por aqui o conceito difundido nos Estados Unidos de lojas que vendem tudo por apenas um dólar. Rapidamente a versão brasileira das "dollaramas" caiu no gosto dos consumidores, especialmente os das classes de menor poder aquisitivo, e as chamadas lojas de 1,99 se espalharam por todo o País. Apesar de os negócios irem bem, obrigado, à medida que o segmento crescia, aumentava também a associação desse comércio à pirataria, a brinquedos desengonçados e a utilidades domésticas produzidas com plástico de segunda categoria vendidos em barracas de camelôs. O problema é que essa visão não estava apenas no imaginário popular e Hekier achou que era hora de mostrar às esferas governamentais que só o segmento de produtos importados reúne mais de 500 empresas - responsáveis por cerca de R$ 4 bilhões no faturamento total do setor de produtos populares, que somou R$ 11 bilhões em 2008. "Ora nos tratam como contrabandistas, ora nos tratam como importadores de artigos de luxo, impondo uma série de dificuldades alfandegárias", explica o argentino fanático pelo Boca Juniors lá e pelo Corinthians aqui. .Em 2005 Hekier juntou seus pares e fundou a Associação dos Importadores de Produtos Populares (Abipp) que acaba de receber o certificado de compliance da Secretaria de Direito Econômico (SDE). A Abipp é a primeira entidade brasileira a receber a certificação que, segundo Ricardo Inglez de Souza, sócio do Demarest & Almeida, encarregado de desenhar o programa de compliance da Abipp, nenhuma empresa nacional tem.
"Investimos tempo e dinheiro nesse processo porque. queremos que a sociedade e o governo nos vejam como um setor sério, que gera empregos, coloca produtos de qualidade ao alcance do consumidor de menor poder aquisitivo e cumpre com suas obrigações", resume o presidente-executivo da Abipp, Gustavo Dedivits, acrescentando que, com o certificado em mãos, a Abipp ganha força para pleitear desde a redução de impostos até o desembaraço de mercadorias. O compliance pode ser descrito como uma cartilha com regras e conceitos em defesa da concorrência que visam a inibir práticas desleais de comércio e a estimular o combate à pirataria, ao contrabando, à formação de cartéis e ao dumping (política de preços abaixo dos custos para conquistar novos mercados). O processo de certificação é bastante rigoroso e, de acordo com Inglez de Souza, das 30 companhias que buscaram a certificação na SDE, pelo menos 25 já foram barradas. Souza lembra que, embora a lei de defesa da concorrência seja de 1994, somente de dois anos para cá é que as empresas brasileiras começaram a dar mais atenção a ela. "A ação do governo tem sido mais efetiva. Só em 2008 foram decretadas 53 prisões temporárias e preventivas por crimes contra a concorrência e as multas por este tipo de infração podem chegar a 30% do faturamento da empresa", diz Souza. Segundo ele, só no Demarest as consultas para adoção do processo de compliance aumentaram 40% neste período.
Depois da certificação, a Abipp tratou de intensificar sua agenda política e a presença de Gustavo Dedivits em reuniões nos gabinetes de Brasília tem sido constante. A meta agora é aumentar o número de empresas associadas de 18 para 30 e fazer um mapeamento completo que mostre quantos empregos o setor gera e quanto paga em impostos. Dedivits explica que o diminuto número de associados se deve à extensa lista de exigências que a Abipp faz antes de aceitar um novo sócio. Apesar dos esforços para moralizar o setor e dar-lhe mais representatividade, ainda é grande o número de importadores que recorrem à pirataria ou a outros métodos pouco ortodoxos de administração.
Click aqui para ver a materia:
tamanho do arquivo: 120,31 KB
|